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TEMPERAMENTOS E LIDERANÇA HORIZONTAL

Na antiga Grécia, Empédocles trouxe os quatro constituintes do universo: Terra, Água, Ar e Fogo. Segundo sua visão, tudo derivaria daí. Ao trazermos esses quatro elementos para os seres humanos, aprendemos que existem quatro temperamentos básicos. Eles revelam-se a partir dos sete anos de idade e fazem parte da nossa constituição física.

O elemento Terra oferece ao ser humano o que chamamos de Temperamento Melancólico. Fisicamente, são pessoas que têm um biotipo alongado, seja na face, seja no corpo, apresentando um aspecto retilíneo. Por serem acometidas pelo elemento Terra, essas pessoas têm um andar arrastado, pesado. Isso também se refere aos gestos, dando pouca expressividade. A expressão facial pende, e os olhos, habitualmente, são caídos e semicerrados. Olham comumente para baixo, a cabeça é colocada para a frente e para baixo, provocando uma curvatura da coluna. A boca também é puxada para baixo. O seu comportamento tende a ser introspectivo e reservado. Pendentes ao pensar e à reflexão, vão a fundo quando a algo se dedicam. Tendem a um caráter de pesar, de queixa, de crítica, continuamente. Transmitem para o meio uma imagem de pessoas incomodadas. Assim, não há uma tendência de se colocarem no centro dos grupos. Estarão nas bordas, matutando. Sentem-se acometidas pelos infortúnios da vida ou veem alguma imperfeição lá fora. Um humor básico que lhes confere uma característica pouco social, reservada, distanciada. Mas vivem duas polaridades: viver egocentricamente com a própria dor, ou olhar a dor ou a necessidade do mundo; e, nesse contexto, são pessoas altamente trabalhadoras e diligentes. Queixam-se repetidamente, mas são bastante realizadoras. Se olham para os problemas do mundo, seguem ao esforço e, muitas vezes, se sacrificam. Nesse temperamento não há uma tendência a uma liderança natural. Nesse âmbito, auxiliam a olhar detalhes que não foram devidamente cuidados e chamam a atenção para riscos desconsiderados (situação comum em otimistas desenfreados que planejam superficialmente). Além de serem líderes que suam a camisa.

O elemento Ar traz ao ser humano o Temperamento Sanguíneo. As pessoas sanguíneas, fisicamente, são as mais bem proporcionadas, de biotipo equilibrado. Tal qual o ar, têm um andar leve e fluido. Assim, a sua expressão gestual é solta e também muito profusa. Expressivas, gesticuladoras, falantes. Com olhos que brilham, interessadas em tudo o que as rodeia, são sorridentes, abertas, expansivas: naturalmente aparentam uma característica simpática. Acolhem os demais com rapidez e intensidade. São pessoas que tendem a ter um olhar brilhante, aberto e sorridente. Com essa leveza, tendem a ser pessoas bem-humoradas e receptivas, que vão na direção das outras: e, assim atentas a múltiplos interesses (adoram novidades), revelam a tendência de não se aprofundarem neles. Tendem a se fixar pouco em algo de maneira aprofundada e a se dispersar em vários interesses. Naturalmente otimistas, ressentem-se pouco quando maltratadas. Assim como esquecem sem maiores dores aqueles que deixam para trás. A característica negativa dos sanguíneos é desenvolver a superficialidade, a inconstância, não terminar o que precisam e seduzir as pessoas para objetivos pessoais, já que são naturalmente encantadores. Se evoluem para o lado positivo, coligam pessoas com bom humor, atenuam o clima de ambientes pesados e são abertos ao novo e ao futuro. Podem se tornar líderes integradores.

O elemento Água traz ao ser humano o Temperamento Fleumático. São pessoas de face e corpo arredondados. O seu andar é bamboleante. Vão de um lado para o outro, com lentidão. A expressão também representa essa lentidão. O olhar delas é meio ensimesmado, às vezes “dormindo”. Comumente, têm uma aparência amistosa, suave e pacífica. Apresentam uma reserva amistosa. Um tipo bonachão. O mais lento de todos os temperamentos. Tal qual a água que corre na natureza em direção a uma zona de repouso, o fleumático busca ir para uma zona de paz. Dependendo da sua vontade, mesmo que não sejam muito ligadas a se movimentar, podem ser boas observadoras. Gostam do que é conhecido e se comprazem em fazer o início, o meio e o fim. Quando começam algo, deixam tudo redondo, não deixam nada para trás. São as pessoas que gostam de rotinas e as executam de maneira apropriada. O risco dos fleumáticos é se tornarem pessoas muito passivas e acomodadas, o que naturalmente as leva a engordar. Se evoluem para o lado positivo, são pessoas que contribuem cumprindo o que prometem. Quando lideram, são bastante integradoras, pois exercem ações suaves.

O elemento Fogo se traduz no ser humano pelo Temperamento Colérico. Fisicamente, são pessoas atarracadas, compactas e, olhando por trás, parecem não ter pescoço. Andam como se estivessem enfiando o pé no chão e agem rapidamente em direção ao seu objetivo. O seu rosto tende a ter uma aparência quadrada, com mandíbulas fortes e olhos penetrantes que fitam de forma direta. São aquelas que, ao terem um objetivo, vão com toda a força de vontade em sua direção. Têm alta energia. Não são grandes planejadoras e muitas vezes agem com força, mas sem direção. Impacientam-se enquanto não iniciam o que querem. Querem logo fazer, pôr na prática, fazer acontecer. E, quando vão, carregam um entusiasmo que estimula os demais, ou literalmente arrastam as pessoas para isso. Tendem a ter uma liderança natural. Gostam de desafios e, quando não os têm, tendem a ter tédio. Como são muito enérgicas, se evoluem para o lado negativo, tornam-se atropeladoras de pessoas, praticando autoritarismos, imposições e imputando aos outros os seus próprios erros. Stalin, por exemplo. Se evoluem para o lado positivo, tornam-se líderes que servem aos demais, tornando-se admirados e preservados por seus liderados. Quando isso ocorre, líderes coléricos tendem à generosidade. O colérico exerce uma liderança empreendedora.

Nós nascemos com os Temperamentos corporalmente definidos. Morreremos com eles. Os elementos vivem em uma polaridade: o peso da Terra (Melancólico) tem a oposição da leveza do Ar (Sanguíneo). Assim como a Água (Fleumático) e o Fogo (Colérico). Cada um de nós tem um Temperamento predominante. Há pessoas cujas características são mais intensas. E outras que colhem traços dos Temperamentos que estão ao lado, como se pode ver no esquema abaixo. Porém, a maturidade e o desenvolvimento humano propõem que diminuamos os excessos do nosso Temperamento. Provocamos problemas quando acentuamos quaisquer qualidades que temos. O habitual é que as pessoas evoluam ao longo dos anos, atenuando alguns traços e somando outros que compõem a estrutura física e psicológica de todos.

Na visão da Liderança Horizontal, é importante que o líder conheça o seu Temperamento para fazer uma autocrítica necessária, evitando o excesso de suas características. O problema não é ter uma qualidade; o desequilíbrio ocorre no seu exagero. Além disso, conhecendo os Temperamentos dos demais dentro das organizações, o líder pode compor relações complementares à sua. Por exemplo, se me enxergo como Colérico, vale a pena ter um Melancólico criterioso para me auxiliar. O líder pode também conduzir de maneira apropriada as qualidades e competências dos diversos Temperamentos para posições adequadas em diversas equipes. Pessoas com Temperamentos receptivos? Coloque-as para receberem pessoas ou fazerem os primeiros contatos. Um bom comerciante tem uma sanguinidade. Existem tarefas repetitivas que precisam terminar bem? Leve para essa área alguém com traços fleumáticos. Essa pessoa ficará feliz, e os resultados aumentarão. Sob esse ângulo, o líder é como um regente de orquestra: leva as pessoas aos lugares certos.

Por: Paulo Neves Junior – Médico Antroposófico e Consultor IMO Brasil

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